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Impactado, assim que saí da sala de cinema, pensei: Como pode, tão belo e tão triste? (Ultimamente parece que essas estreias de drama querem acabar comigo. Hehe)

Close foi premiado por grandes festivais por onde é exibido, como o prêmio Grand Prix do Festival de Cannes, além da indicação ao Oscar pela categoria de Melhor Filme Estrangeiro.


Close é mais recente longa dirigido por Lukas Dhont, diretor de Girl (2018): Que por sinal é filme belíssimo e super profundo, apesar da enorme problemática devido ao trans fake já que a protagonista trans era interpretada por um Victor Polster, um homem cisgênero.


O filme narra a amizade de Léo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav de Waele), dois adolescentes muito apegados que passam o dia brincando juntos nas ruinas próximas, eles riem de bobagens dentro do seu mundo particular, temos na tela o amor um pelo outro, trazidos por cenas extremamente intimistas, com quadros bem fechados que reforça esse afeto e te coloca junto dos meninos, mesmo que tenhamos a certeza que aquele universo pertence apenas aos dois, Close* (*Perto), o filme não poderia fazer mais jus ao nome.


São Impressionantes as quebras da quarta parede (quando o protagonista olha diretamente para a câmera), elas são avassaladoras e te colocam em check sobre julgamentos rasos a respeito da relação dos dois. A imersão nos sentimentos de todos os personagens é inevitável.


Não é para menos, o roteiro, também assinado pelo diretor é extremamente sensível e potente. Os diálogos são afiados, assertivos, o diretor prefere entregar em imagens belíssimas tudo o que está havendo naquele momento, tudo o que não precisa ser dito. Um desses grandes takes que falam por si só, são os garotos correndo juntos, hora mais próximos, hora mais distantes, em meio as plantações da região onde vivem. Os sorrisos e olhares registrados são capazes de entregar verdadeiros diálogos silenciosos. Mas não se enganem, toda essa atmosfera é abruptamente interrompida na quebra para segundo ato: Assim que os garotos entram para o Ensino Médio, a bolha onde vivem é severamente rompida pelo bulling feito pelos colegas, que colocam os dois em situações extremamente constrangedoras, fazendo-os questionar sobre o que até então era certo do que significa amar.


O filme é belíssimo, apesar de triste, trata de assuntos como a restrição machista de demonstração de afeto, sobre o julgamento sobre do que é definido como “feminino” além da homofobia, apesar do filme não expressar em momento algum sobre a sexualidade dos rapazes. Todo o sofrimento é sobre o julgamento e os impactos horríveis que são gerados pela violência psicológica na adolescência desses dois amigos

 

IMERSIVO E CRUEL


O novo Longa A Baleia, de Darren Aronofsky (Réquiem Para Um Sonho, Cinse Negro, Mãe...), vem causando enorme comoção em suas exibições ao redor do mundo, estreia hoje nas salas de cinemas brasileiras.


Com o tema extremamente delicado, o filme traz um recorte de cinco dias na vida de Charlie vivido por Brendan Fraser (A Múmia, George – O Rei da Floresta), um professor de inglês que vive com obesidade severa, tentando se reconectar com sua distante filha adolescente Ellie, interpretada por Sadie Sink (Stranger Things).


Nos primeiros minutos do filme, assim que somos apresentados ao mundo comum do protagonista, a empatia pelo personagem é inevitável. Além da atuação realmente impressionante de Brendan, isso se deve à linguagem audiovisual extremamente bem pensada que o filme nos traz. Todos os pontos ali colaboram para a desconfortável imersão do expectador; a escolha da cartela de cores faz com que nosso personagem pareça parte do cenário, já que grande parte do filme se passa com o protagonista sentado em seu sofá, a escolha do diretor em exibir o filme em 4:3, um formato quadrado e não widescreen faz com que o personagem ocupe a maior parte da tela em várias cenas, sua respiração ofegante durante os diálogos é com certeza a cartada final para todo esse misto de sensações.


A Baleia nos fala sobre depressão, sobre como ela pode ser devastadora quando a ignoramos. A doença é apresentada de forma avassaladora, não só na história do nosso protagonista mas também nos demais personagens, cada um com os seus demônios, transformando tudo isso num melodrama potente e muito bem executado, fugindo completamente de uma possível exploração cafona do sofrimento humano.


Ainda sobre os diálogos, todos os louros possíveis para o roteiro assinado por Samuel D. Hunter, autor do livro, do roteiro adaptado para o teatro e agora para o Longa. A cada conversa vamos descobrindo um pouco mais sobre cada um dos personagens, pouco a pouco o roteiro nos entrega quem são cada um deles, o porque estão ali e como todos eles chegaram naquela situação tão difícil.


Um filme duro de se assistir mas com uma mensagem muito importante passada de forma responsável.

 

Atualizado: 4 de jul. de 2023


Desde sua estreia aqui no Brasil, em Junho/22 que penso em escrever sobre esse filme, mas existem tantas coisas brilhantes acontecendo na tela que ainda não consegui concatenar as ideias todas em apenas um texto. Pois hoje vou tentar falar sobre o que mais me impactou nessa verdadeira obra prima.

Ouvi uma vez a entrevistadora Marília Gabriel falando a palavra “iconoclasta*” (*Que ou quem que não respeita tradições, monumentos ou convenções) e sempre quis usar em alguma situação. Hehe


Chegou o dia! Iconoclasta é a palavra que melhor define Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, de Daniel Kwan, Daniel Scheinert (The Daniels).


Essa quebra de paradigmas, reforçados bastante pela indústria do cinema americano, começa na escolha dos personagens do centro da trama: Uma família de imigrantes chineses, donos de uma lavanderia que tem como matriarca a protagonista Evelyn Wang (Michelle Yeoh), que lida com conflitos extremamente humanos como problemas com imposto de renda, cuidar do pai idoso Gong Gong (James Hong), os conflitos de relação a filha adolescente Joy Wang (Stephanie Hsu). Esses personagens fogem completamente da convenção de estereótipos que costumamos ver nesses filmes que focam fortemente o público jovem. Estamos em tempos de ver novas histórias, novos protagonistas, novos pontos de vista e isso o filme cumpre lindamente com o seu papel.

Tudo até aqui pode até parecer muito monótono, mas não se engane, esse é o filme sobre multiverso mais insano produzido até hoje. Assim como nas múltiplas realidades retratadas no filme, nossas emoções também são jogadas de um lado para o outro, onde conseguimos chorar e rir na mesma cena. Cenas improváveis e muito bem construídas, nos levam a aceitar cada absurdo que nos é apresentado, sem compromisso com a realidade que conhecemos. Apesar de toda a fantasia, os conflitos estão alí, cheios de humanidade, questionamentos sociais e afetivos.


O filme é um verdadeiro banquete visual, impecável desde os figurinos estonteantes até sua edição final super frenética, cheia de cortes rápidos. Referências a outros filmes como Matrix, Kill Bill, Lucy e até Ratatouille, são reconhecidas facilmente durante as cenas. Uma mega produção com um orçamento impressionantemente baixo: 25 Milhões de Dólares, que vira “troco de bala” quando comparados a outras grandes produções como Dr. Estranho – No Multiverso da Loucura por exemplo, que custou 200 Milhões de Dólares e mesmo assim ainda está longe de ser um dos filmes mais caros da história com orçamentos que ultrapassam a marca de 300 Milhões de Dólares.


Uma menção especial as cenas de kung-fu, extremamente bem coreografadas, feitas com Michelle Yeoh que esbanja vitalidade e flexibilidade aos 60 anos de idade. Todo o elenco entrega muita interpretação, a sinergia entre eles impressiona, parece que cada um deles nasceu para fazer exatamente aquele papel. O Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para o Ke Huy Quan que interpreta o pai, não poderia ser de outra pessoa. Como um ator tão brilhante desses fica por quase 30 anos sem ser convidado para atuar em outro filme.


Enfim, eu poderia escrever muito mais sobre esse filme de tantas coisas boas que tenho para falar dele. Sem sombra de dúvidas, esse é um dos filmes que se tornam clássicos assim que nascem. Divertido, emocionante e insano, esse filme arrebata o expectador de uma forma inédita.


 
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